Biografia de Hermínio de Almeida Simões

Pardieirense-Hermínio de Almeida Simões Hermínio de Almeida Simões


Nascido nesta aldeia, fez na sua terra natal toda a sua instrução primária, e o ensino básico em Carregal do Sal, com distinção. Perdeu o pai quando tinha oito meses. Foi educado pela sua mãe e padrasto (que sempre muito estimou) que tinham como forma de subsistência a agricultura. Chegado o ano de 1932, mau ano agrícola, o seu padrasto comunicou-lhe que não poderia continuar a estudar, por falta de dinheiro. Dedicou-se então à agricultura com enorme afinco. Passou vários anos sem estudar, até que recomeçou os estudos fazendo num só ano os 5.º e 6.º anos (actual 9.º e 10.º anos). Em Julho de 1941, foi para a tropa, onde graças à sua extraordinária força de vontade e trabalho fez o 7º ano do liceu (11.º ano) e aptidão à Faculdade de Ciências de Coimbra, onde ingressou. Fez o seu percurso sempre com bons resultados até que no exame da última cadeira do 3.º ano, ele e mais dez colegas foram reprovados na oral, antes de entrarem na sala. Com este insucesso involuntário, os seus familiares continuaram a apostar nele e por isso mandaram-no para Lisboa para que concluísse o curso de Matemática. Assim aconteceu. Como sempre foi um homem que se pautou pela delicadeza, franqueza e trabalho, o Director da faculdade de Lisboa, chamou-o e perguntou-lhe o que queria fazer da sua vida. Respondeu-lhe que queria leccionar, arranjando colocação para suavizar as despesas dos seus pais, e constituir família. Foi então que o director o recomendou para o Colégio João de Deus, no Monte Estoril, colégio de rapazes, de grande prestígio na época. Esteve lá entre os anos de 1952 e 1956. Em Julho de 1956, foi convidado, por um colega do Colégio a leccionar no Colégio da Padroeira de Portugal, sito na Av. dos Bombeiros Voluntários - n.º 7 - Estoril, apontando-o como a pessoa capaz de prestigiar este colégio, em franca decadência pedagógica e económica. Assim a gestão da escola ficou a seu cargo, comprometendo-se a ter os salários em dia, com o compromisso de acabarem as faltas de professores. Mais uma vez o apoio dos seus familiares foi muito importante. Nesse colégio leccionou as disciplinas de Matemática, Desenho, Geografia e C. da Natureza. Começou com 23 alunos. No ano seguinte o número de alunos passou para 58. Depois de várias opções coube-lhe a ele ficar a gerir o colégio, a partir de 1957/58. Surge a necessidade de partir para uma nova etapa com uma nova escola e surge a denominação de Colégio D. Luísa Sigea em 25/09/1956. Em Setembro de 1958, conhece aquela que viria a ser a sua amiga e companheira de vida (em 1959), Maria Isabel, alfacinha de nascença, mas também ela com ascendentes beirões, bem próximos de Pardieiros. Os dois juntos, com muitas horas de trabalho, com as equipas docente e não docente que se foram constituindo, foram tornando credível esólida a escola. Anos difíceis passaram, antes, durante e pós 25 de Abril, mas sempre mantendo uma atitude de compreensão, serenidade, trabalho, respeito e dedicação, perante tudo e todos quantos os rodeavam. Foram 52 anos de trabalho e muita dedicação à educação. No Sigea leccionaram e ainda leccionam professores que tinham sido seus alunos e muitos dos actuais encarregados de educação passaram pelo Sigea, também como alunos. Conseguiu pois desenvolver no Colégio o espírito de uma grande família. Repetia vezes sem conta: “ Sou um homem feliz… um marido, pai, sogro e avô feliz.” O seu maior prazer era reunir todos os que lhe eram queridos (familiares, amigos, colaboradores, colegas,…) Em Abril de 2000, ficou gravemente doente, mas graças à sua força interior, ultrapassou com sucesso a doença. Continuou até ao seu último momento a participar em todos os encontros e actividades do Colégio, trabalhando até à hora em que foi chamado (7/7/2004), a “ caminho “ dos oitenta e quatro anos. Foi, até à sua hora, um homem sereno e feliz. Que Deus Nosso Senhor, o guarde e acolha junto de Si e que nos continue a guiar, lá do Alto.
Pardieirosonline faz a justa homenagem a este Grande conterrâneo.

4 comentários

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Sónia Mendes
admin
12 de janeiro de 2009 às 11:26 ×

Sem dúvida um grande SENHOR!!!

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Ramiro
admin
12 de janeiro de 2009 às 22:59 ×

Nunca esqueceu as suas raízes como diz no texto , por isso, cito novamente o texto: "Que Deus Nosso Senhor, o guarde e acolha junto de Si e que nos continue a guiar , lá do Alto."

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Alfredo Rodrigues
admin
13 de janeiro de 2009 às 19:56 ×

Uma bela história de vida, com algum sacrifício pelo meio, mas com uma grande vontade de vencer.

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Arminda Silva
admin
19 de maio de 2009 às 22:49 ×

Ora aí está um bom exemplo de vida para se seguir, o senhor foi um homem cheio de garra e força de vontade para ter chegado aonde cheguou e muito trabalho e dedicação. Que deus o tenha no eterno descanso

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